Como o título do post diz, o que vou contar poderia bem ser um pedaço de algum filme, mas não era, foi a vida real mesmo.
Na segunda-feira, quando toda aquela chuva absurda estava caindo no Rio de Janeiro, eu saí do trabalho com o coração apertado sem saber o porquê. Fiz meu trajeto diário: peguei o metrô, depois entrei no ônibus de integração e aguardei a partida. Como sempre faço, liguei para o meu marido Fabiano (nosso protagonista da história) para avisar que estava bem e voltava pra casa. Disse que o ônibus sairía em alguns minutos e ele me disse que estava na Taquara (bairro do RJ) e estava atravessando a rua. Nesse momento a ligação caiu de repente e meu coração deu um salto. Tentei retornar e só dava sinal de desligado. Passei a próxima hora tentando falar com ele e nada. Só dava desligado e ele não me ligou mais. Estranhei, já que a Taquara é perto da minha casa e, mesmo com toda aquela chuva, ele não demoraria tanto para chegar em casa. 1 hora, 1 hora e meia se passou e eu comecei a ficar muito preocupada. Antes que estranhem eu não ter chego em casa ainda, explico que geralmente demoro em torno de 2 horas do trabalho pra casa, e com o mundo virando água não seria diferente. Portanto, estava euzinha no ônibus, presa no trânsito e preocupada. Liguei pra casa inúmeras vezes e ninguém atendia. Liguei pro primo dele (Josiano) e pedi que tentasse ligar pra ele também. Liguei pra casa do pai dele (que é vizinha a minha) e pedi para deixar recado: que ele me ligasse assim que chegasse em casa. E que era urgente.
Algo me dizia que tinha alguma coisa estava errada. Eu tinha quase certeza. Liguei pro melhor amigo dele e soube que o Fabiano tinha ligado pra ele de outro número pedindo o número do celular do pai. Estranhei ele não ter me ligado, mas imaginei que o telefone estivesse sem bateria ou coisa assim. Mesmo que meu cérebro só imaginasse coisas muito piores. Ainda dentro do ônibus, vi uma ambulância passar e aquilo me deu um nó no peito. Mal eu sabia que era ele que estava lá dentro.
Antes de chegar em casa, o primo dele me ligou dizendo que estava indo me buscar e me deu a notícia confirmando o que eu já sentia: Fabiano tinha sido atropelado e estava no hospital. Josiano pediu que eu fosse pra casa e separasse algumas roupas pra levar ao hospital e esperasse por ele, sendo que ele estava vindo de Niterói para me buscar e com aquela chuva, imaginei que fosse demorar muito.
Minha rua estava alagada, assim como o Rio inteiro. Atravessei o mar de água suja que era a minha rua, com a água alcançando quase a altura de meus joelhos, mas eu precisava chegar em casa. Precisava ir para o hospital e vê-lo. Me desesperei ao chegar em casa e não ter ninguém. Absolutamente ninguém. Meu sogro já estava no hospital com ele e eu praticamente fui a última a saber do ocorrido. Outro amigo dele que mora mais perto foi me buscar e me levar para o hospital. No caminho, o carro quase 'se afogou' em toda aquela água, mas enfim chegamos lá. Encontrei Josiano e a namorada na entrada do Hospital Miguel Couto e um segurança me levou até onde ele estava.
Sorte, anjo da guarda, Deus, não sei. Só sei que ele não quebrou nada, só levou alguns pontos (5 na cabeça e 6 no braço direito), ficou com a perna inchada e estava lúcido o tempo inteiro. Só então fui saber de como o acidente aconteceu.
Como eu já imaginava, ao falar comigo no telefone, ele atravessou a rua com o sinal em amarelo e uma Fiat Uno o atropelou. O motorista não prestou socorro e foi embora. Pessoas ao redor disseram que o vidro do carro foi quebrado com o impacto, mas o Fabiano não lembra bem o que aconteceu, afinal foi tudo muito rápido. Algumas pessoas do bem o ajudaram, protegeram-no contra a chuva forte, até emprestaram telefone e assim ele pôde pedir ajuda. Passamos a madrugada inteira no hospital. Tomografia, raio-x, pontos pelo corpo, ortopedia. Nunca tinha ficado tanto tempo em um hospital na minha vida! Só de lembrar como tanta gente sofre todos os dias em hospitais públicos, me dá náuseas. E como já dissemos isso pra ele, que dia ele foi 'escolher' pra sofrer um acidente!! Segunda-feira, à noite, chovendo horrores. Boa, Fabiano!
Chegamos em casa já quase de manhã e eu não fui trabalhar. Também nem podia, com toda aquela chuva. O dia de ontem foi de visitas, ligações, todas as formas de demonstrar que ele é querido por todos.
Hoje eu também não fui ao trabalho. Logo cedo estava tudo interditado pela chuva, e eu ainda precisava bancar a babá-enfermeira, então minha chefe me liberou pra trabalhar remotamente de casa.
Amanhã estarei de volta ao batente. Graças a Deus, Fabiano está bem melhor e esperamos que isso nunca mais se repita, com nenhum de nós.
Às vezes penso como a vida é engraçada e como estamos tão ligados às pessoas que amamos ao ponto de poder sentir quando algo está terrivelmente errado. Pode parecer coincidência. Sim, pode. Mas o que importa é que o que senti foi real, não foi ficção, não foi filme. Aconteceu.
Agora agradeço pelo anjo da guarda dele ter apenas fugido da chuva por alguns minutinhos (pra não molhar as asas, quem sabe..) e não ter tirado folga naquele dia em que muitos anjinhos estavam 'fora de serviço' no Rio de Janeiro...
Fotos do novo 'quebradinho-emo' (apelido devido ao seu novo estilo de cabelo jogado de ladinho por causa dos pontos):
Bjussss
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quarta-feira, 7 de abril de 2010
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